quinta-feira, agosto 24, 2006

caffeine headache



who said the drugs don't work?

terça-feira, agosto 22, 2006

um gato no céu



a L. estava a jantar, comendo lentamente, grão a grão do seu arroz.
estava muito contente, tendo levado o seu pai à exaustão por correr praia atrás de praia nessa tarde, até bem perto das dez da noite.
no entanto, não deixou escapar nenhuma pista do seu cansaço, comentando a temperatura agradável da noite, as brincadeiras nocturnas dos gatos, convidando a mãe a juntar-se a ela própria e ao pai, sentados na mesa a petiscar.
começa então a erguer o seu braço, a sua mão cheia de arroz para o céu, e diz repetidamente: anda anda, pápa!
a mãe pergunta-lhe e quem se dirige o convite e ela, atónita, responde:
o gato, mãe, o céu!
um gato no céu, a quem a L. se dispunha a alimentar, a partilhar com ele a refeição da familia. um gato que ninguém mais viu a não ser ela, nas suas mil e uma visões de fantasia e brincadeiras incansáveis.
os pais não tiveram outro remédio, acenaram ao gato e no final do jantar desejaram~lhe uma boa noite, cheia de estrelas.
(um poema de uma menina de dois anos que me fez lembrar uma curta de um amigo de quem sinto saudades - imagem de "estória do gato e da lua", do pedro serrazina)

sexta-feira, agosto 18, 2006

dia cheio de coisas pequeninas



fui trabalhar e gostei do que fotografei, fui às compras e encontrei um amigo que já não via à muito, com outro amigo conversei sobre as ligações humanas durante um belo par de horas bem passadas, esclareci as dúvidas existênciais do novo chão da sala, encontrei maneira de não poluir as águas residuais, acenei a outra amiga que por coincidência abrandou o carro ao lado do meu, sorri para as nuvens gordas no céu por cima do trânsito, arranjei uns belos cogumelos biologicos e uns bifinhos de porco preto sem aditivos para a cara metade, despedi-me da filha mais velha até domingo, deitei a mais nova de barriguinha cheia, fiz caipirinhas para toda a gente, respondi aos emails pendentes e, pronto, agora este post e cama. porque amanhã quero outro dia cheio de coisas simples que me fazem sorrir e sentir-me de pazes feitas com este mundo.

auto-suficiente, eu?

nós e o desenvolvimento sustentável

quinta-feira, agosto 17, 2006

imagens de familia



os parentes afastados são por vezes boas surpresas... dei por mim a pensar que deve ser muito bom poder voltar ao país natal, rever toda a gente, passar um bom bocado relaxadamente, e depois voltar à vida normal.
nunca passei pela experiência de deixar tudo para trás e aventurar-me no desconhecido de um país novo, de uma vida nova. mas deve ter isso de bom pelo menos, o voltar e matar saudades.
estes parentes em questão estão muito diferentes do que eu me lembrava, são muito positivos, têm uma energia boa à sua volta, nada como à uns anos atrás, provavelmente cansados de lutar lá fora por uma vida melhor do que cá tinham.
agora, mais descansados e estabilizados, mostram uma calma que de certa maneira invejo. parece que têm tudo no seu devido lugar, organizado e simples, simples, simples...
sinto-me bem com eles cá, e vou ter saudades quando partirem.
hoje deu-me para o sentimento...

terça-feira, agosto 15, 2006

decapando


resolvi decapar um velho armário de casa de banho, daqueles que já não se fazem à pelo menos 50 anos, e recuperá-lo. ao decapar as sucessivas camadas de tinta velha, velhissíma, e já sem idade, senti-me como a decapar as minhas próprias peles e idades, e retroceder umas décadas... senti novamente aquela ideia de pertencer a algum sitio, não a algum, àquele. raspando as camadas de tinta senti eu própria que me rejuvenescia, de alguma forma, por algum motivo, talves para voltar a acreditar. e senti-me tão feliz quanto livre.

domingo, agosto 13, 2006

sábado, agosto 12, 2006

inter-culturas

as cidades eram lindas: Paris, Lisboa, Estocolmo e Valencia.
hoje sentei-me à mesa com: 3 franceses, 4 portugueses, 1 sueca, 1 espanhola,
de 3 gerações diferentes, todas seguidas. foi muito agradável a troca de experiencias e as conversas ricas, por muito simples que fosse o assunto abordado.
já tinha saudades de um serão assim.

segunda-feira, agosto 07, 2006

quinta-feira, agosto 03, 2006

pfff...

eu acho uma piada...



toda a gente se queixa: porque ainda não está de férias ou porque já voltou; porque tem demasiado trabalho ou está desempregado; porque está muito calor ou porque baixou a temperatura; porque não consegue dormir ou porque dormiu demais; porque isto e porque aquilo...
mas o que não mencionam é a parte boa, como manda a tradição nacional: os euros a cair na conta no dia certo; as férias no sítio apetecido; os "tempos-mortos" no emprego; os trabalhitos que vão aparecendo de vez em quando; a cerveja naquela esplanada; aquele filme inesquecível; a biografia do Mao e depois uma noite de sono rejuvenescente...
como eu, pobre malagueta, não tenho tido direito a ócios mundanos neste último século, passo então a listar as minhas próprias queixas, não vá ser mal-interpretada, SOU de facto portuguesa, e o fado está mesmo no sangue:
estou de baixa de maternidade e, no entanto, estou a trabalhar; o ordenado lá vai aparecendo ou num dia ou mais tarde; não tenho férias já nem me lembro à quanto tempo, nem vislumbro disponibilidade para tal; as diferenças de temperatura a mim já não me espantam, até parece que não sabem o que andamos a fazer a este planeta, mas as temperaturas baixas de ares condicionados institucionais são porreiras para as dores de cabeça; não gosto de cerveja e não vou ao cinema desde o "Lost in Translation"; as insónias voltaram e, como um mal nunca vem só, os posts a altas horas da madrugada também...
pronto. já me sinto um bocadinho de nada melhor.

domingo, julho 30, 2006

Os Azares e Outras Estórias



As coisas nunca acontecem por acaso. Pelo menos é assim que eu penso.
Não acho que haja um poder interestelar que nos comande como joguetes mas, acredito que tudo o que nos acontece pode ter um motivo escondido, basta estarmos atentos e aproveitar as jogadas. Nem todos jogamos bem, é certo, e eu sei bem que não tenho grande prática nestas coisas dos encontros e desencontros da vida.
Ainda tenho de limpar muitas teias de aranha e apagar muitas susceptibilidades...
No entanto, tenho esta estúpida positividade que acredita piamente que tudo acabará em bem. Mas, a força de vontade é a que me puxa para trás. Decididamente, isto de ter ascendente em Gémeos dá trabalho que se farta...

sexta-feira, julho 28, 2006

de volta ao mundo dos outros

Hoje regressei ao trabalho.

quinta-feira, julho 27, 2006

Recordando Jeff Buckley

I feel afraid and I call your name
I love your voice and your dance insane
I hear your words and I know your pain
With your head in your hands and her kiss on the lips of another
Your eyes to the ground and the world spinning round forever
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over

Ah do you meet the one I love
and smell the one who loves you
Dream brother, dream brother, dream, dream
dream asleep in the sand with the ocean washing over

(Dream Brother - Grace)

Uma voz
Um sonho
Uma vez na vida

Até sempre Jeff

domingo, julho 23, 2006

A Familia Sagrada



Às vezes parece-me que nasci na familia errada.
Irrito-me sempre nestes domingos em que existe a tal necessidade de, em comunhão, nos reunirmos para apreciar o que resta desta Familia Sagrada.
Acabo sempre por sentir a falta dos mortos. Aqueles que, provavelmente por já não estarem presentes, trariam o complemento "mentalósanitário" a faltar actualmente.
Irrito-me sempre. É fatal como o destino, cliché absolutamente certo neste assunto.
O destino será impeditivo de uma vida normal, portanto.
Se fazemos parte de uma familia, então o mais certo é sermos todos farinha do mesmo saco, mais coisa menos coisa. Obviamente existem as diferenças de primo para mãe, de neta para cunhado. Mas acaba tudo por ser igual. In the end, como dizia o outro...

Desabafo





Às vezes parece que estamos enclausurados. Estamos, não, estou.
Tenho de ser franca comigo mesma.
A todo este cansaço fisico colou-se uma instabilidade emocional que pode bem arrastar-me para niveis não pontuaveis.
Sinto que não estou a criar porque, nem tenho forças para isso, nem tão pouco me apetece voltar a esse mundinho hipocrita, com os seus joguinhos e futilidades.
Encontro-me assim nesta encruzilhada: não consigo ter forças para iniciar o processo e, ao mesmo tempo, anseio por fazer algo que me faça voltar a sonhar.
Durante todos estes longos anos de trabalho criativo, e apesar dos pequenos bónus, e latas de refrigerante grátis mas apenas na compra de garrafas de 2 litros, nunca estabeleci um método de trabalho. Provavelmente é isso que me impede de retomar o ritmo. Ou não. Seja como for, aqui estou. Sem vontade de me esforçar, porque tambem é disso que se trata. Aquele cliché aplica-se: mostrar o trabalho é sempre um sofrimento, uma dor imensa, uma vergonha sentida.
Dizem-me que é natural, e que ainda é cedo. Estarei eu demasiado ansiosa?
Enquanto espero por mim mesma, para apanhar o comboio das 5, fumo mais um cigarro e como mais um chocolate. Devo estar com uma depressão.

no work = no fun = no gain

quarta-feira, julho 19, 2006

2 anos



A L. faz amanhã dois anos.
Já fala pelos cotovelos, diz coisas tão importantes como "é miu" para marcar o seu território; "já chega" quando não lhe interessa a conversa; ou "ponto ponto, num choa" para a irmãzinha.
E saiu de mim, não é incrivel?

terça-feira, julho 18, 2006

Acerca da amizade

Recebi um telefonema. Eram notícias que esperava serem boas, vindas de alguem que julgava ser amigo. Mas não, em vez de me alegrar, passados os segundos dos cumprimentos senti que algo desagradável iria passar pela linha...

A história é bastante simples: amigo A precisa de amigo B, pede ajuda; amigo B concorda. Amigo A espera resultados do seu pedido, amigo B diz que sim, que de momento está ocupado, só mais um bocadinho. Amigo A, nervoso, aguarda o desenrolar dos factos, que a todo o momento podem surgir. Ambos sabem que desta parceria pode surgir algo de muito importante, sobretudo para o amigo A. Amigo B apresenta soluções, amigo A rejubila e agradece o projecto. Amigo B liga. Diz que afinal só para o ano, este ano vai colaborar com o amigo C (aquele que pode trazer mais mais-valias, fica subentendido). Mas que para o ano vai ser magnifico. Amigo A sente a picada no coração (outra) e a pancadinha nas costas, pois sabe perfeitamente que esperou inutilmente, e que nada irá acontecer.

Punchline: nunca confies os teus projectos de vida naqueles que julgas serem próximos, serão eles mesmos que te irão acordar do teu mundo de fantasia.
E é uma pena... seria bom partilhar os melhores momentos com amigos, os tais que, pelas demais afinidades tudo entenderiam! Uma troca de olhares nos momentos de sucesso atingidos a meias seria, a meu ver, o que de mais bonito pode haver numa amizade que se pretende honesta e verdadeira. Mas o que eu me esqueço sempre é que cada um de nós tem um umbigo, e por vezes esse umbigo é mais forte que tudo o resto...

Mas afinal, os sonhos nunca morrem, e tenho de terminar este post com energia positiva para encarar os dias seguintes. Os dias em que vou ter de dar a cara por um projecto que criei, sem o background que gostaria de ter mas, outros virão...

Subscrevo-me, obviamente como

Amigo A

segunda-feira, julho 17, 2006

NADA

nadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanada
nadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanada
nadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanada
nadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanadanada.
nada é nada, mas tu és tudo para mim.

domingo, julho 16, 2006

Cigarros e Chocolates

Pronto. Saí do casulo, e não consegui resistir... Porque é que estas coisas que sabem bem têm de fazer mal? Dou por mim a vaguear nas palavras e a temer o pior: a falta de entretenimento faz-me consumir doces e tabaco. Mantenho-me ocupada todo o santo dia, mas à noite é fatal. Hoje adicionei o chocolate aos bookmarks das insónias.