quinta-feira, setembro 25, 2008

iphoto-graphic moleskine - 002

Self Portrait, 1975, Robert Mapplethorpe

ela









ela é parva, arrogante, sempre de nariz empinado e óculos escuros do mais fashion que há, último grito.
naturalmente, é artista, o que é uma boa desculpa para passar a vida a "inspirar-se" gastando imenso dinheiro ao namorado rico que, de resto, lhe acha bastante piada.
nunca anda 3 vezes com a mesma roupa, gosta de se dar com "os melhores", seja em que àrea for.
portanto, esta senhora é deveras uma vencedora, tanto na escolha de uma galeria, como na preferência pelo dia da sua inauguração, como na vendedora de legumes biológicos, como no cabeleireiro, como no stand de automóveis, como na lingerie, ad eternum...
então, porquê perder tempo com ela??
ela, simboliza um mundo fútil, ao qual já pertenci, e tive algum resquício de descernimento para, silenciosamente abandonar como parva, arrogante, sempre de nariz empinado e óculos escuros do mais fashion que há, último grito.
naturalmente, fui artista, o que é uma boa desculpa para ter passado a vida a "inspirar-me" gastando imenso dinheiro ao namorado rico que, de resto, me achava bastante piada.
nunca andei 3 vezes com a mesma roupa, gostava de me dar com "os melhores", seja em que àrea fosse.
portanto, esta senhora era deveras uma vencedora, tanto na escolha de uma galeria, como na preferência pelo dia da sua inauguração, como na vendedora de legumes biológicos, como no cabeleireiro, como no stand de automóveis, como na lingerie, ad eternum...
então, porquê perder tempo com ela?? por essas e por outras, agora sou diferente da carneirada. sou eu. sem peso na consciência, nenhum.
quantos de nós pode dizer o mesmo?

a malagueta is a malagueta is a malagueta


a sério, o que mais me incomoda são mesmo as cópias.
não ter criatividade própria é um problema, é certo, mas alterar uma ideia de outra pessoa e torneá-la até à intencionalidade, chateia-me. sobretudo quando o sinto na pele.
trocar o meu sábado pelas sextas feiras de pessoas endinheiradas é obtuso, sobretudo, quando há alguém a ganhar pipas de massa com a minha ideia, e eu continuo sem ganhar o euromilhões; traduzir os meus pequenos almoços para inglês também não é nada simpático, apesar de já se terem passado uns aninhos; utilizar o copy-paste com os meus argumentos de venda, é falso, soa a falso, e nem sei como há gente que ainda assim, compra. mas ok.
acredito no karma, apareça ele de que forma aparecer, materializando-se numa cliente de 80 anos que, vendo-me aflita das costas, se prontifica a dar-me uma massagem, ou em amigos que, passados anos de luta pelo projecto em que acredito, finalmente dizem que afinal até é cool o que esta maluca anda a fazer à tanto tempo.
sei que a moda aliada aos media é o pior enche-bolsos desta era consumista, mas continuo a acreditar que se me mantiver centrada no meu próprio percurso, nenhuma moda ou produtora de graveto me pode derrubar, pois se é honesto, verídico e com carácter, certamente vingará.

tenho dito.

terça-feira, setembro 23, 2008

atenção: eles andem aí...


For the fluid organization, employee competency and innovation overrides career path planning and the traditional ladder to success. Employees find satisfaction in being recognized for true skills rather than job descriptions, the corporation avoids the pitfalls of management power struggles, and the market drives the business.


e estão no meio de nós... devia ter ido para marketing, eu sabia!

total change of plans

parece mentira, mas o passado regressa de tempos a tempos para me dar a oportunidade de rir por último...
e bom, de re-afirmar a mim mesma que, como dizia o outro: If it’s going to be, It’s up to me.
e, aaah!, respirar o ar puro da liberdade auto-conquistada, e brindar aos que sobrevivem como eu, num mundo em constante mutação, criado por nós, para nós.
é bom ser o artista residente da minha própria galeria. é pena é ainda não ganhar o que me auto-propus. WTF, who needs that shit*** anyway??



*** dinheiro, pilim, trocos, cheta - dica para um post mais adiante...

sexta-feira, setembro 12, 2008

o bar e a noite enguiçada

fui a uma festa pequena, íntima, umas 30 pessoas, num pequeno bar no centro da capital.
a música estava confusa, não tão definida como de costume, mas ninguém parecia importar-se.
o dj, como sempre, tocava para ele mesmo. e divertia-se imenso.
pedi uma bebida, mesmo o que me estava a apetecer: uma caipirinha, gelo picado no ponto, não muito fino nem a colar, docinho e a saber a lima, quase chegando à perfeição de um night-cap.
observei a fauna: as caras do costume, com mais anos em cima, é certo, mas com o charme dos 30 bem sublinhados por baixo da roupa fashion e da maquilhagem discreta: "gosto da maneira como estamos a envelhecer", penso, macambuzia, ao dar mais um golo fresco. esta noite não me está a alegrar.
começo por fazer um retrato de familia mental, todos em grupo para a fotografia, fantasio:
ok, dealers na primeira fila, à jogadores de futebol - fazem logo uma bela intro, são uns sete só neste grupo restrito, rio-me sózinha com os meus pensamentos bizarros - na segunda fila podem marcar lugar as ex's e familia do tipo mais conhecido deste bar - uau... - e para a fila de trás, o pessoal hard core, aquele que foi a todas, mas a todas as festas, aniversários, festas de pijama e raves obscuras, e, claro, os djs. todos... agora, todos aos mesmo tempo, toda a gente diz: CEREJAAAAA. Flash-flash.
isso é que era. continuo a viver neste sub-mundo mental, pois é bem melhor que o exterior.
uma caipirinha e algumas conversas surreais mais tarde, decido que não estou em condições de aguentar isto por muito mais tempo. subo as escadas vermelhas pela primeira vez, e vou ter com o dj. a música aqui está bem melhor. ainda dou um pézinho de dança, uma hipotese a este retorno abrupto a um passado que nunca me falou ao coração.
aqui em cima, parece que vejo tudo das nuvens: os outros dançantes lá em baixo, a falarem sobre aquelas coisas que não me interessm minimamente, tipo férias fora de época no algarve VS férias no estrangeiro em agosto, ou, como evoluiu o boom festival nos últimos anos...
acabo a minha caipirinha sem perceber se ainda tinha alguma cachaça ou se o que acabei de beber era apenas o gelo derretido com açucar. acho que estou um pouco ébria. fixe.
sinto um peso enorme nas costas e pernas, como se estivesse a fazer um esforço sobre-humano para estar de pé. desço e misturo-me.
sento-me agora num banco cromado com acento de borracha preta e ajusto o decote.
parece que, depois de entrar nos trinta e de ter duas filhas pequenas, despertei o interesse por me baralhar visualmente e tentar recriar um outro eu, mais cuidado e normalizado. deve passar em breve.
folheio uma revista. "estou a ver uma revista, num bar?". ok, time to go.
preparo-me para sair, mas sou imediatamente impedida por uma dj, que quer conversa.
acompanho, honestamente interessada, o seu discurso. junta-se a nós outro dj. a tempo certo, quase milimétricamente calculado, despeço-me e movimento-me para o próximo grupo. cravam-me discaradamente uma boleia com almoço, bebida e whatever else, num destes domingos. vou sorrir e pedir outra bebida.
volto para casa cedo. deito-me a ler mais um capitulo da vida de outrem, e adormeço cansada.
amanhã tenho de começar cedo.